TROCAS CATEGORIAIS DE NOMES E VERBOS NA AQUISIÇÃO DA ESCRITA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO POR SURDOS
DOI:
https://doi.org/10.54221/rdtdppglinuesb.2018.v6i1.161Palavras-chave:
Interlíngua – Português – Libras, Gramática Gerativa – Aquisição da linguagem, Verbo – Troca categorial, Linguística aplicadaResumo
Neste trabalho, dissertamos sobre o fenômeno linguístico da troca categorial entre nomes e verbos cuja ocorrência foi identificada durante o processo de aquisição da escrita da interlíngua Português-Libras. Nossos objetivos principais foram os de descrever e analisar, com base nos dados de nosso corpus e à luz da Gramática Gerativa, como vem ocorrendo a aquisição tardia, pelos surdos, das categorias nome e verbo no Português Brasileiro escrito, com vistas ao fenômeno da troca categorial. As hipóteses iniciais desta pesquisa foram fundamentadas em Kato (2005). Partimos do acesso indireto à GU na aquisição de segunda língua e hipotetizamos que os surdos realizam essa troca categorial por dois motivos: porque se baseiam em aspectos sintáticos do PB, ignorando aspectos morfológicos das categorias nome e verbo, e porque transferem para a escrita do PB a mesma indistinção categorial típica de sua L1. Foram pesquisados dados de 11 sujeitos-informantes da pesquisa, todos surdos usuários da Libras como L1. A metodologia de coleta de dados foi a de produção de texto escrito e relatos de experiência de vida gravados em vídeo. Para a transcrição dos dados da Libras, foi utilizado o sistema SEL. O trabalho está dividido em sete seções. Na primeira, apresentamos o problema investigado e a assunção/formulação das hipóteses. Na segunda seção, detalhamos os procedimentos metodológicos. Em seguida, na terceira, abordamos os fundamentos teóricos do Gerativismo, especificamente a Teoria de Princípios e Parâmetros, sua evolução para o Programa Minimalista e a aquisição da linguagem na perspectiva inatista. Na quarta seção, descrevemos algumas características gramaticais das categorias nome e verbo em Libras e no Português Brasileiro, conforme a Gramática Gerativa. Na quinta, apresentamos os fundamentos teóricos sobre a interlíngua. Já na sexta seção, adentramos em nosso objeto pesquisado; apresentamos os dados do corpus e discutimos os dados. Na continuação, explicamos as razões pelas quais o fenômeno da troca categorial ocorreu. Por fim, na sétima seção, fazemos as considerações finais e retomamos o estudo desta dissertação. Como resultado, nossos estudos indicam que a troca categorial por indistinção morfofonológica, característica da Libras, produz impacto na aquisição do Português escrito por surdos. Logo, concluímos que, por causa do acesso indireto à GU, via gramática de sua língua materna, há evidências de que os sujeitos-informantes transferiram, em certa medida, a indistinção categorial da L1 para a escrita da L2, confirmando nossas hipóteses e configurando, consequentemente, uma interlíngua com características do PB e da Libras.
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