ANÁLISE DOS ASPECTOS DA APRAXIA DE FALA EM UMA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN
DOI:
https://doi.org/10.54221/rdtdppglinuesb.2019.v7i1.175Palavras-chave:
Apraxia de Fala, Síndrome de Down, Análise Acústica, Neurolinguística, Aquisição da LinguagemResumo
Nesta dissertação, apresentamos os resultados de um estudo de caso de IZ, uma criança de nove anos de idade, que apresenta a condição genética da síndrome de Down e foi diagnosticado com apraxia de fala aos seis anos. Partindo do princípio de que a língua(gem) é uma atividade constitutiva do sujeito e que “é um trabalho pelo qual, histórica, social e culturalmente, o homem organiza e dá forma às suas experiências” (FRANCHI, 1987:12), visamos analisar e acompanhar longitudinalmente o funcionamento da linguagem de IZ, a fim de verificar se há comprometimentos na produção de sua fala e, se houver, quais as melhores possibilidades de intervenção para um desenvolvimento e (re)organização do seu discurso. Os nossos objetivos específicos são: investigar o funcionamento da linguagem de IZ, verificando se há comprometimento nas produções de fala apresentadas pela criança, em meio a situações significativas de interlocução; analisar qual o nível de inteligibilidade da fala de IZ por meio de testes de percepção de fala aplicados antes e após a intervenção terapêutica; verificar, por meio da análise acústica da fala, se há produção de segmentos vocálicos e/ou consonantais na fala de IZ, bem como a qualidade da produção desses segmentos. A fundamentação teórica desta pesquisa pauta-se nos postulados teóricos da Neurolinguística Discursiva que parte de uma perspectiva que considera o sujeito e as suas especificidades dentro de um contexto do/no funcionamento da língua(gem); nos conceitos de apraxia de fala, postulados por Kumin (2006) e Carrara (2016); e em estudos da Fonética Acústica, em específico, da teoria de produção da fala ou Teoria Fonte e Filtro, à luz de Fant (1960), a fim de analisar um corpus de dados constituído por produções da fala de IZ. A partir da análise desse corpus, verificamos que IZ apresenta uma fala caracterizada por baixa perceptibilidade e inteligibilidade; produção limitada de segmentos consonantais; qualidade vocálica sem comprometimentos na produção de seis vogais orais do Português Brasileiro (PB) e sem ocorrência de produção de duas vogais. Após essas análises, optamos por uma intervenção neurolinguística baseada nas especificiades de IZ em programar e produzir a fala, o que trouxe à criança resultados significativos, auxiliando na automatização, ampliação e (re)organização do seu discurso, bem como na produção de uma fala com maior inteligibilidade, possibilitando à criança um melhor convívio social.
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- Linha de Pesquisa 2 - AQUISIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUA(GEM) TÍPICA E ATÍPICA
- Orientadora: Profa. Dra. Carla Salati Almeida Ghirello-Pires
- Coorientadora: Profa. Dra. Vera Pacheco
- Projeto Temático: Aquisição e desenvolvimento da fala, da escrita e da leitura de sujeitos com síndrome de Down e de sujeitos com transtorno do espectro autista
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