SILÊNCIO: A LINGUAGEM EM UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS
DOI:
https://doi.org/10.54221/rdtdppglinuesb.2020.v8i1.207Palavras-chave:
Idoso, Institucionalização, Neurolinguística, SilêncioResumo
Os objetivos desta dissertação são analisar a linguagem em indivíduos institucionalizados no processo da consciência individual dos idosos, através da linguagem, especificamente, a relação discurso - enunciado dos idosos recentemente institucionalizados no Abrigo Nosso Lar e de seus familiares / responsáveis; observar o processo de silenciamento em idosos institucionalizados; e verificar o silêncio enquanto parte de um sistema alternativo de significação estruturante de sentidos. Para isso, foram selecionados, como amostra, cinco idosos institucionalizados na ILPI Abrigo Nosso Lar. Na perspectiva teórico-metodológica da Neurolinguística Discursiva, apoiada em preceitos enunciativo-discursivos, foram construídas as análises aqui apresentadas, e cada dado-achado (COUDRY, 1988, 2008, 2017) foi alinhado a conceitos relevantes para a Linguística, de forma geral, e para a teoria da Enunciação e da Análise de Discurso, aliadas a conceitos da Música e da Filosofia, mais especificamente. Percorremos o caminho para compreensão do processo de silenciamento social dos sujeitos idosos, através de análise de pesquisas oficiais e da linha francesa da análise de discurso (ORLANDI, 1999, 2009), e, posteriormente, do funcionamento protocolar institucional como fator impactante na fala do idoso. Com as análises de dados, verificamos que o silêncio faz parte de um sistema alternativo de significação, ao possibilitar o sujeito dizer o que o inconsciente não permite que seja dito, e que ele é fundamental no processo de elaboração da consciência individual e de estabelecimento de sentidos. Para indivíduos privados de liberdade e autonomia, ou seja, institucionalizados, a escuta, capaz de reconhecer o sentido atribuído pelo sujeito ao silêncio, funciona como intervenção de forma eficaz.
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