AQUISIÇÃO DA ESTRUTURA FRASAL NA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS
DOI:
https://doi.org/10.54221/rdtdppglinuesb.2013.v1i1.29Palavras-chave:
Aquisição da Linguagem, Escrita SEL, Gramática Gerativa, Libras, SurdoResumo
Esta dissertação tem como objetivo apresentar uma análise da aquisição da libras por surdos que tiveram seus processos de aquisição estabelecidos em três contextos diferentes: a) aquisição natural na infância (ANI), tendo como input a libras como primeira língua (L1) desde o nascimento; b) aquisição na infância de família ouvinte (IFO), tendo como input a libras de falantes de segunda língua (L2), a partir dos 4 anos de idade; e c) aquisição tardia (AT), tendo como input a libras de falantes de segunda língua (L2) e seus colegas surdos, a partir dos 8 anos de idade. O quadro teórico que fundamenta este estudo é a Gramática Gerativa, com sua hipótese inatista de aquisição da linguagem. Para definição do signo linguístico da libras (o sinal), assumimos a hipótese da unidade MLMov de Lessa-de-Oliveira (2012). A autora identifica esta unidade como o elemento de composição articulatória do sinal. Utilizamos o sistema de escrita SEL, também desenvolvido por Lessa-de-Oliveira (de 2009 a 2012) na transcrição dos dados, optando por uma escrita direta. Esta metodologia de transcrição criou condições para uma análise de dados mais próxima da forma como estes dados foram articulados pelos informantes. Este recurso possibilitou uma análise mais detalhadas das características da língua, que demonstra uma variedade de possibilidades de predicação, ora relacionadas à condição de articulação espacial tridimensional própria de línguas de sinais ora relacionadas a aspectos de uma sequência linear, mais de acordo com o que se encontra em línguas orais. Concluímos, assim, que a estrutura argumental das libras se utiliza de quatro processo de predicação: saturação por categorias lexicais, saturação por categorias vazias, saturação por Localizadores (Locs.) e autossaturação. A comparação desses quatro tipos de predicação entre os três perfis de informantes acima demonstra que a diferença de qualidade do input não interfere na aquisição da língua como L1. Tal resultado reforça a hipótese inatista, ilustrada pelo Problema de Platão, pois verificamos que a partir de um input fragmentado, impreciso, tardio (após os 8, 10 anos de idade) é possível adquirir a língua como nativo. Mas, os dados põem em questão a hipótese de que o período crítico de aquisição da linguagem estaria circunscrito aos 6 anos de idade.
Como citar:
ALMEIDA, Maria Antonieta Pereira Tigre. Aquisição da estrutura frasal na língua brasileira de sinais. Orientadora: Adriana Stella Cardoso Lessa de Oliveira. 2013. 83f. Dissertação (mestrado em Linguística) – Programa de Pós-graduação em Linguística, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2013. https://doi.org/10.54221/rdtdppglinuesb.2013.v1i1.29. Acesso em: xxxxx
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