LINGUAGEM E DEMÊNCIA: PROCESSOS DISCURSIVOS NO FUNCIONAMENTO DA LINGUAGEM

Autores

  • Débora Ferraz de Araújo Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB/Brasil)

DOI:

https://doi.org/10.54221/rdtdppglinuesb.2014.v2i1.38

Palavras-chave:

Linguagem, Interatividade, Demência

Resumo

Esta dissertação teve como objetivo central estudar as formas pelas quais um sujeito com diagnóstico de demência opera sua língua(gem) e as soluções pragmático-discursivas encontradas por ele no processo linguístico-interativo. Foi orientado fundamentalmente pelos pressupostos da Neurolinguística Discursiva (ND), área que se dedica ao estudo da linguagem nas afasias e demências, em uma perspectiva sócio-histórica. O sujeito da pesquisa teve dois diagnósticos: a Demência de Alzheimer (DA), baseado em testes, concedidos por dois Neurologistas; e a Afasia Progressiva Primária (APP), conferida com base no acompanhamento clínico, pela Geriatra do sujeito. As duas nomenclaturas são referentes a doenças neurodegenerativas, no entanto, se caracterizam de maneiras bem distintas, isto é, o comprometimento linguístico-cognitivo é enfocado de forma distinta, em uma e em outra. A ND contrapõe-se às correntes teóricas que avaliam a linguagem com base em baterias de testes, centradas no sistema formal da língua, uma vez que tais procedimentos não vislumbram a relação da linguagem com os demais processos cognitivos (memória, atenção, percepção), que são avaliados separadamente. Além disso, não são consideradas variações individuais e são deixados de lado aspectos pragmáticos e discursivos entendidos - pela ND - como fundamentais para a compreensão do fenômeno. Trata-se de estudo de caso, de natureza qualitativa, em que os dados foram obtidos em sessões semanais de uma hora de duração. As análises foram norteadas pelos pressupostos teórico-metodológicos da ND proposta por Coudry (1986, 2001, 1996), bem como pela concepção de linguagem de Franchi (1977), entendendo-se o cérebro como Sistema Funcional Complexo (Luria, 1981, 1984). Além disso, foram considerados – no âmbito da sintaxe gerativa - Mioto, et al. (2007); Raposo (1992), Brito (2003), Abney (1983), Longobardi (1994), Kato (2001), Floripi (2008). Os resultados obtidos mostraram a dificuldade do sujeito em acessar o núcleo nominal do sintagma, principalmente, quando este é um nome próprio bem como as formas pelas quais ele opera sobre o sistema da língua reorganizando o seu dizer de maneira significativa e encontrando – com o apoio do outro - soluções bem sucedidas do ponto de vista pragmático-discursivo.

 

Como citar:

ARAÚJO, Débora Ferraz. Linguagem e demência: processos discursivos no funcioamento da linguagem. Orientadora: Ivone Panhoca. Coorientadora: Nirvana Ferraz Santos Sampaio. 2014. 70f. Dissertação (mestrado em Linguística) – Programa de Pós-graduação em Linguística, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2014. DOI: https://doi.org/10.54221/rdtdppglinuesb.2014.v2i1.38. Acesso em: xxxxxxxx

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Publicado

30-12-2014